terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mannheim

Depois de muito tempo...Hallo!!!

Como prometido no último post...Mannheim.

Desde quando eu cheguei aqui, todos me falavam, você precisa ir a Mannheim, porque é a maior cidade da região e a segunda maior do estado, só fica atrás da capital, Stuttgart. Aí chegou o último sábado do mês, eu sem muito dinheiro para ir para algum lugar mais longe, decidi que era a hora de conhecer a cidade (detalhe, agora eu percebi como o blog está atrasado, um mês :P).
Mais um motivo que me levou a ir nesse dia, é que eu vi que ia ter um musical da Janis Joplin. Como a maioria das pessoas já estavam viajando e as pessoas que eu conversei não estavam afim de pagar mais de 20 euros para ver o musical, eu fui sozinha mesmo.
Para quem se acostumou com Heidelberg, assim que chega em Mannheim já nota a diferença, afinal é uma cidade normal, com algumas construções antigas, mas no geral não chama a atenção. Minha primeira parada foi o castelo da cidade (vão se acostumando, praticamente todas as cidades da Alemanha tem um castelo como atração).
Eu fui entrar no museu, que é dentro do castelo, e tive a primeira surpresa. Só precisei pagar 2 euros, pois uma ala do castelo estava bloqueada para um casamento.
Ok, admito que eu não era uma frequentadora de museus no Brasil, então eu não sei se nossos museus têm isso, mas eu achei super legal um aparelho de áudio que funciona como um guia. Aí quando você vê alguma peça, ela tem um número, você digita e ouve a explicação. Poucas pessoas já tiveram a oportunidade de ir comigo a um museu, mas as que já foram sabem que eu gosto de ler, entender as peças, então imaginem como não fiquei feliz com o brinquedinho...heheheheh. Resultado: só sai na hora que o museu fechou! Isso porque o tema do museu era a família que tinha habitado o castelo e os nobres da época na região. 
Até então, eu tinha uma opinião crítica sobre museus no quesito de agregar conhecimento. Provavelmente isso aconteceu porque quando eu era criança eu fui para o museu do Ipiranga e lembro que eu não gostei muito (imaginem a criança vendo talheres imperiais). Mas depois de ir nesse museu eu mudei de opinião, não que o museu fosse sensacional, mas eu percebi que, pelo menos para mim, a principal função é aguçar a curiosidade. Por exemplo, eu estava ouvindo as informações e várias vezes falava: Porque ele foi o "Elector" e blablabla. Para mim, a única tradução de Elector é eleitor, mas não fazia o menor sentido. Isso me levou a pesquisar o significado de Elector e eu descobri que era a estrutura do Sacro Império Romano-Germânico, isso levou a uma pesquisa sobre o próprio império e ainda me fez entender o porquê de os nazistas na II Guerra Mundial falarem do III Reich. Ou seja, uma simples palavra, me levou a tudo isso!
Antes de mudar o tópico fica o registro, a biblioteca e mais duas salas do castelo estão entre os cômodos mais lindos que eu já vi! É impressionante a quantidade de detalhes e cores, infelizmente era proibido entrar com câmera, logo não pude tirar fotos.
Saindo do castelo, eu decidi que já que eu ainda não vi o Rio Negro e o Solimões se unirem, eu iria ver o Neckar e o Reno (eu descobri durante a visita ao museu que eles se encontravam na cidade). O problema é que eu não tinha um mapa e não sabia bem como chegar lá. Aliás, eu nem sabia como chegar até um dos rios, a única informação era o mapa de Mannheim de 1700 e alguma coisa que eu vi no museu! Então eu comecei a andar na direção que eu acreditava que o rio estava, no caminho eu vi uma igreja bem legal, nada comparado com a catedral de Köln, mas considerando que ela não é muito falada, foi um achado! O engraçado é que quando eu estava saindo uma mulher, devia ter mais de 60 anos, veio falar comigo, eu falei que não sabia alemão mesmo assim ela continuou falando algo, até hoje eu queria saber o que ela queria me explicar.
Continuei andando, passei por uma espécie de parque, que tinha esquilos e coelhos, eu nunca tinha visto um coelho solto assim, até que enfim cheguei em um dos rios! Era o porto de Mannheim, mas não tinha ninguém e eu não sabia para qual dos lados eles se uniam. Como na figura, era bem próximo do castelo, eu decidi andar 15min para um lado e 30min para o outro para ver se eu encontrava, como eu não achei e já estava chegando a hora do musical eu voltei e fui para o parque aonde aconteceria o evento.
No caminho para lá, eu escutei uma música latina, aí decidi ver o que era. Em frente ao planetário, que fica ao lado do parque, estava acontecendo um show de uma banda cubana, mas que a vocalista era argentina. Eu me senti, porque estava cheio de alemão que certeza não entendia uma palavra do que eles falavam entre as músicas, mas eu entendia..hahahahahahahha
O som estava bom, mas eu ainda queria ir ao musical, aí fui para o parque. Era razoavelmente grande, o suficiente para eu me perder. Depois de uns 20min andando eu finalmente encontrei a bilheteria e a "arena". Às 20:00h o ambiente era bem legal. Uma arquibancada com um palco sobre um lago, praticamente um teatro grego. O problema é que às 20h aqui, ainda temos Sol, o problema foi quando anoiteceu, passei muito frio lá! Também tive outra revelação neste sábado, eu definitivamente não acompanho a música do meu tempo. Não é uma grande surpresa, mas quando eu olhei para o público do musical, eu diria que a média etária era de 60 anos, considerando que haviam algumas crianças, aparentemente levadas pelos avós. De qualquer forma o musical foi ótimo. Óbvio que eu preferia um show cover, assim se canta junto o tempo inteiro, como era um musical, só cantamos junto quando acabou o musical e ela cantou Me and Bob McGee. Ela cantava bem, o único problema é que como musical, funcionava como teatro, logo as partes faladas eram em alemão e eu só tinha noção do que realmente estava acontecendo, porque eu já vi alguns documentários sobre a Janis, então conhecendo a história, misturando com o momento que ela colocava as músicas mais alguns trechos de entrevista da Janis original, deu para dar uma ideia do que se passava. Além disso, eu não precisava falar alemão, para entender que no começo ela fez uma homenagem à Amy Winehouse, afinal ela tinha morrido naquela semana.
O único problema é que eu não tinha me programado para um show tão longo, acabou à meia noite. Com isso, o último tram que passava pelo parque e levava de volta para a Hauptbahnhof já tinha passado. Ainda bem que eu tinha prestado atenção no caminho, então voltei caminhado, uma boa caminhada, e cheguei bem na hora que o tram para Heidelberg estava chegando!

Resumo: adorei o dia, apesar de ter andado muuuito!Os 24 euros pelo musical valeram, os 2euros do museu também!

Vou tentar dar uma acelerada essa semana, para ele ficar mais atual!

Tchau

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Rothenburg ob der Tauber


Wie gehts?

Nossa, tem muita coisa acontecendo não estou dando conta de escrever.
Segue um rápido update e depois vou falar um pouco sobre Rothenburg (já faz tempo, mas eu ainda não esqueci).

Sexta-feira passada, o que podemos chamar de O Poderoso Chefão da auditoria interna da SAP me chamou para conversar e ele mesmo me deu uma tarefa para fazer. Detalhe que em quanto eles estava me explicando, ele solta: Aí eu vou entregar esse relatório para o CEO para embasar nossa decisão.
Nem preciso falar que me senti absurdamente importante, o poderoso chefão da auditoria e um dos da SAP, só isso...
Além disso, quando ele terminou de explicar o que ele queria, ele me falou do escritório em SP e fez questão de mandar um e-mail com a pessoa do time que trabalha em SP para organizar uma ligação entre nós e assim podermos conversar um pouco em português!
É sério, ele é muito gente boa. Semana passada mesmo ele convidou os membros novos do time para um almoço onde ele contou a história do time de auditoria interna na SAP, afinal ele está lá desde que o time foi fundado (isso não faz tanto tempo assim, na verdade a maioria das empresas começaram a prestar atenção e montar times de auditoria interna após o Sarbanes-Oxley Act de 2002).
Nessa, eu e a mulher que trabalha em SP já conversamos pelo communicator (uma espécie de MSN interno) e ela pareceu ser gente boa! Foi muito legal poder conversar com alguém em português que sabe exatamente do que eu estou falando, além disso, ela tem mais experiência tanto de carreira quanto no time e ter a visão dela sobre como as coisas funcionam foi muito bom.
No final de semana eu fui para Berlin, mas isso fica para outro post, não vou atravessar viagens. Só adianto que foi muito bom, e mais uma vez eu estava com duas brasileiras, a Jode e a Jaque.
Óbvio que na segunda eu estava super cansada, mas mesmo assim fui para a aula de alemão que foi boa e depois eu fui para o gramado às margens do Neckar aproveitar o restante de luz do dia para ler um pouco (Isso é muito bom!!! Vou tentar fazer isso quando eu voltar para o Brasil, encontrar algum lugar tranquilo para poder ler ou só descansar após o trabalho...muita qualidade de vida).


Agora vamos para Rothenburg ob der Tauber!
Você pode estar se perguntando, mas aonde é isso? Fica aqui na Alemanha, mais ou menos umas 2h a leste de Heidelberg, já na região da Bavaria (eu moro em Baden-Württemberg).
O time de auditoria interna aqui na Alemanha teve um dia para viajar junto e o destino escolhido foi esse (haviam 3 opções, mas quando eu cheguei já estava tudo escolhido).
Chegando lá, a primeira coisa depois de quase 2h no ônibus foi o banheiro. Pela primeira vez eu fui num banheiro público aqui que estava realmente fedido, mas não vou reclamar, pelo menos tinha papel. 
A cidade parece que foi tirada de um desses filmes de época. Ela ainda tem a muralha ao redor, aí você entra e vê todas aquelas casinhas antigas e ruas de paralelepípedo. A cidade até parece que é cinematográfica de tão bonitinha. O interessante é que vendo tudo isso eu tinha certeza de que o turismo sustentava a cidade, mas descobri que na verdade o que gera a maior renda é uma fábrica da Electrolux.
Primeiro fizemos um tour com um guia da cidade, foi bem legal e uma das lendas mais famosas da cidade é que durante a guerra dos 30 anos, quando a cidade foi invadida pelas tropas católicas (estranho escrever isso!), pois era um reduto protestante, eles sabiam que não poderiam resistir, logo resolveram ser hospitaleiros e chamar o pessoal para tomar um vinho. Segundo a lenda, o comandante gostou tanto do vinho e da cidade, que fez a seguinte proposta: caso alguém na cidade conseguisse beber um galão do vinho (algo entre 3,5 e 4 litros), ele deixaria a cidade. O prefeito conseguiu e até hoje eles celebram esse feito!
Depois tivemos um tempo para almoçar, aí o pessoal se espalhou. Eu e mais um cara da Republica Checa fomos para o museu de Crimes Medievais. Quem tiver a oportunidade vá, recomendo muito! É diferente de ler sobre as torturas nos livros de escola ou mesmo nos filmes, quando você vê as máquinas e documentos relatando pessoas sentenciadas, pinturas mostrando as cenas, tudo parece mais real, é como se caísse a ficha de que aquilo tudo realmente aconteceu.
É impressionante a criatividade humana para elaborar mecanismos de tortura! Acho que eles tinham equipamentos para todas as partes do corpo. E o mais incrível, é que a maioria dessas máquinas não eram a punição em si, mas eram parte do julgamento. Funcionava assim, se mais de uma pessoa te acusasse, você não tinha muito o que fazer, era esperar a punição. Porém, se só uma pessoa te acusasse, eles precisavam de mais uma evidência, logo eles gostariam que você confessasse, para isso eles usavam os "brinquedinhos" até você resolver falar e aí de acordo com o crime você seria sentenciado. Lá tinha um guia com vários crimes e a pena correspondente. Geralmente era a morte, mas dependendo do crime, você morreria de uma forma diferente, por exemplo, queimado, cozinhado, desmembrado, enforcado e por aí vai.
Antes de sair desse assunto macabro, preciso falar, eu nunca tinha refletido sobre o nome da banda Iron Maiden. Lá eu descobri que Iron Maiden é uma espécie de sarcófago de ferro e madeira que eles colocavam as pessoas dentro para morrerem. Segundo o museu, no começo eles eram assim, mas depois, lá pelo século 18 eles foram mais longe e introduziram espinhos, que não perfurariam os órgãos vitais, fazendo a pessoa sofrer mais. Como a forma do exterior é de uma mulher ficou esse nome.
O mais assustador é pensar que até hoje existe tortura pelo mundo, o que mudou foram os artefatos.
Nos reunimos novamente com o grupo para um segundo tour. Dessa vez era pela história do vinho na região, o problema é que esse guia não falava inglês! Na verdade ele não é bem um guia, ele produz vinho e é apaixonado pelo que faz. Então ele explicou tudo sobre a produção do vinho, da plantação até as garrafas. Nós fomos andando pela plantação e durante essa fase eu tive tradução simultânea, mas depois fomos para a loja dele, numa salinha escura com luz de velas, pão e, óbvio, vinho! Nessa parte, como estávamos em um ambiente fechado, ficaria meio chato alguém ficar me traduzindo, então eu e um americano que também não fala alemão ficamos lá viajando enquanto a galera ria do que o guia estava falando. O que importa é que os três vinhos que provamos eram muito bons. Mas também foi o meu limite, cheguei a sentir as orelhas esquentarem, ou seja, se tivesse outra taça não acho que seria uma boa ideia provar!
Iriamos dar mais uma volta na cidade, mas começou a chover muito, como já eram quase 17h decidimos voltar.

Resumo: A cidade é uma gracinha, vale a pena uma visita, ainda mais se você tiver um guia! Estando lá, aproveite para ir ao museu e comprar um vinho, afinal é bom e barato (Com algo em torno de 30 reais você compra uma garrafa de um dos vinhos que experimentamos, não sou nenhuma especialista, mas todas as pessoas que estavam lá também gostaram). Não esqueça de aproveitar a vista de um dos jardins para o vale que cerca a cidade é muito bonita! 

Próximo post: Sábado em Mannheim!

Das ist alles Volks!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Aulas de alemão!


Hallo!!!

Mudando o assunto, esse vai ser um post rápido, mas segue uma sugestão de texto para leitura que é muito bom (está em inglês e é longo, mas dá para sentir o drama do que é aprender alemão).

Semana passada finalmente comecei meu tão aguardado curso de alemão! Vou fazer duas vezes por semana uma hora e meia cada aula, é pouco mas é o que dá para fazer (recursos escassos, tanto dinheiro quanto tempo). Resultado da primeira aula, ou melhor de todas as 3 aulas que eu tive até agora, uma baita dor de cabeça!
É impressionante o esforço mental que é necessário para aprender essa língua, ainda mais que quando a professora não está falando em alemão ela está falando em inglês e a noite, depois de um dia de trabalho a única coisa q você quer é descansar!
Pelo menos a professora é muito boa! E para você que já fez curso de inglês e acha que o ritmo é o mesmo...hahahahaha...quem dera!
Desconsiderando o grau de dificuldade da língua que é muito superior ao inglês, eu não lembro de fazer análise morfológica de frase na minha terceira aula de inglês! O engraçado é fazer a análise de uma frase que você não tem a menor ideia do que está escrito. Mas pelo menos eu tenho alguns conceitos bem estruturados em português e isso ajuda bastante, por exemplo, eu não tenho dúvida de quando usar um artigo, qual artigo é outra história já que depende de uma série de coisas! Melhor do que a situação do russo, já que em russo não existem artigos!
Aliás, isso é uma coisa bem legal da sala de aula, a galera é muito diversificada! Tem dois australianos, um americano, um italiano, um russo, uma chinesa e eu. Aparentemente tem mais uma pessoa, mas ela ainda não apareceu!
O engraçado é que eu conheci a chinesa alguns dias antes, como a maioria das pessoas por aqui trabalham em Walldorf, uma garota que eu conhecia estava com ela esperando o trem e nos apresentou. E um dos australianos é também um estagiário da SAP!
Aliás, preciso compartilhar, na segunda descobrimos que trabalhávamos lá, e ficamos um bom tempo conversando, aí quando nos despedimos ele me deu maior abraço...sério, eu fiquei muito feliz! Aqui as pessoas simplesmente não se abraçam, então poder abraçar alguém foi muito bom! Antes que vocês fiquem pensando coisas, foi um abraço de amigos! Abraços fazem bem, como diz meu pai, trocamos energia quando nos abraçamos.

Voltando ao tópico da aula de alemão, não que eu tivesse a ilusão que depois de 6 meses aqui eu voltaria fluente para o Brasil, mas depois desse começo cheguei a conclusão de que minha meta realista será entender o que as pessoas falam e conseguir uma comunicação básica até dezembro. Aí quando eu voltar para o Brasil eu continuo estudando e quem sabe algum dia eu volta para cá e aperfeiçoo. Uma coisa que eu estou feliz é com a minha pronúncia, eu tenho mais facilidade de pronunciar as palavras do que a maioria da sala, mesmo porque, por incrível que pareça, a pronúncia do alemão é muito mais parecida com o português do que com o inglês. Não me perguntem sobre o chinês e o russo! Tirando uns sons parecidos com Rs e as vogais com trema, os sons são relativamente fáceis para quem fala português (pelo menos isso)!

Curiosidade: Mark Twain é considerado um dos maiores escritores norte americanos de todos os tempos. Ele esteve na Europa e teve uma passagem aqui por Heidelberg. Ele também tentou aprender alemão, dessa experiência ele escreveu o seguinte texto: http://www.crossmyt.com/hc/linghebr/awfgrmlg.html
Vale a pena dar uma olhada, ainda mais se você está pensando em começar um curso de alemão!

Das ist alles Volks!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Bad times


Nossa...muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, mas aqui estou eu novamente!

Acho que esse vai ser o post mais difícil de escrever, nos meus planos eu falaria da viagem para Rothenburg, que foi bem legal, ou de Mannheim que também foi show (literalmente), ou ainda da vinda da Jode para cá. Mas o assunto vai ser um pouco mais pesado e recente...

Semana passada o Oliver se mudou, agora na essência somos em 3 na casa. Uma das meninas também estava fora e a outra passou praticamente o tempo inteiro trancada no quarto, então eu só a vi por algumas vezes e bem rápido. Eu achei que ela estava um pouco estranha, mas acontece do pessoal as vezes ficar um bom tempo trancado no quarto por aqui, então eu nem liguei.
No final de semana aconteceu a coisa mais estranha, sábado de manhã eu estava tomando café da manhã com a Jode na cozinha e ela apareceu, eu dei bom dia e apresentei a Jode, a única coisa que ela falou foi bom dia e nem olhou para nós.
A noite eu encontrei com ela na cozinha e ela me perguntou o que eu faria no dia seguinte e eu disse que sairia com a minha amiga, ela me olhou bem surpresa como se fosse uma novidade o fato de eu estar com alguém em casa, aí ela saiu e foi para o quarto. Ainda na mesma noite ela apareceu no meu quarto e me perguntou algo que eu não entendi, eu pedi para ela repetir e ela só ficou me olhando, perguntei se estava tudo bem ela só respondeu que estava bem! Admito que eu achei muuuito estranho esse comportamento, mas como ela acabou de concluir o curso dela e está procurando emprego, eu achei que ela só andava triste, já que na primeira tentativa ela recebeu um não.
No domingo, quando eu cheguei em casa depois de levar a Jode na estação, a outra garota que mora conosco veio até o meu quarto para conversar, ela chegou na sexta. Ela me perguntou se eu tinha notado algo de diferente no comportamento da outra e eu falei tudo o que aconteceu. Foi aí que ela me contou sobre a história da garota.

Vou tentar expor o mínimo possível, mas como foi algo que realmente mexeu comigo acho necessário colocar aqui.

Ela teve uma infância tumultuada e durante a adolescência ela começou a fumar e a usar drogas. Há 7 anos ela conseguiu sair das drogas, começou a estudar e agora em julho ela terminou o curso e está procurando emprego. O problema é que as drogas deixaram sequelas, e ela precisa tomar remédios.
Nós conversamos um pouco sobre o comportamento dela, e a Nina disse que ela estava agindo de uma forma parecida com os relatos que ela própria tinha feito dos momentos de quando ela estava nas drogas. Ou seja, ficamos muito preocupadas, até tentamos entrar em contato com a irmã dela, que seria a única parente que poderia ajudar. Segunda a noite quando chegamos do trabalho, a irmã não tinha respondido e foi o momento mais chocante para mim. A Nina, passou numa clinica para saber como lidar com a situação, resultado, tínhamos duas opções, ligar para a ambulância ou ela tinha que aceitar ir por vontade própria. Como ela estava se recusando a falar em inglês, eu só consegui ver o que estava acontecendo e tentar pegar as coisas pelo contexto. A Nina tentou convencer mas de uma forma bem delicada, só que eu acho que as coisas não estavam fazendo muito sentido para ela, então ela se trancou no quarto. Mas até aí, uma cena bem estranha se passou na cozinha, estávamos tentando agir naturalmente, só que quando eu falava só a Nina respondia e como já havia acontecido várias outras vezes elas ficaram conversando em alemão, mas eu consegui entender coisas do tipo, a Nina falando para ela que não adiantava ligar para alguém (mais tarde ela me contou que era o pai) pois a pessoa estava na Tailândia e que ela viu o celular da Nina na mesa e disse que era a irmã dela ligando, mas a Nina pegou o celular e disse que era dela, então foi como se ela entendesse que a irmã não poderia ligar ali.
Decidimos ligar para a ambulância, falaram que tínhamos que conversar com a psiquiatra, e como ela estava ocupada, ela retornaria a ligação. Nisso, ela saiu do quarto e disse que queria andar, melhor queria ir sacar dinheiro. O problema é que bem nessa hora a doutora retornou a ligação, aí a Nina disse que era alguém e pediu que esperássemos enquanto ela atendia no quarto. Eu tentei conversar com ela nesse meio tempo, mas ela só respondia ok ou just keep talking, I'm listening to you (continua falando, eu estou te ouvindo), o problema é que eu fiz várias perguntas abertas e cabia qualquer resposta exceto essa, aí eu tive que fazer uma espécie de um monólogo natural de 5 minutos com ela, acreditem 5 minutos nessa situação é muita coisa!
Fomos até o banco que é bem perto de casa, isso já era mais de 11 da noite! Enquanto ela estava sacando dinheiro, a Nina me contou que eles não poderiam mandar a ambulância, logo a única opção era ela ir por vontade própria!
Falamos que iríamos até a loja de conveniência do posto aqui perto, quando chegamos já estava fechada, foi aí que a Nina explicou a situação para ela e ela concordou em ir ao hospital. Pegamos um taxi, já que não tinha mais transporte e a doutora nos atendeu (a mesma que falou com a Nina no telefone). Acho que ficamos uns 10min na sala e foi bem tenso, mesmo sem entender exatamente o que elas estavam falando eu conseguia entender um pouco do que estava sendo conversado. Depois eu e a Nina saímos da sala para a psiquiatra poder conversar melhor. Quando fomos chamadas novamente a médica disse que ela ficaria uns dias lá, até se recuperar. A Nina me explicou que aparentemente o problema é que ela parou de tomar os remédios, por isso que ela estava com toda aquela confusão mental. 

Desde ontem eu não consigo parar de pensar em tudo o que aconteceu! De várias formas, tanto olhando para o lado dela, quanto para o meu.
Do lado dela é principalmente o fato de ela ter conseguido ir tão longe, tudo bem que ainda não sabemos se ela voltou a usar drogas, mas só o fato de interromper os medicamentos já foi uma coisa bem séria. E agora num momento bom de vida profissional (ela ainda não tinha emprego, mas se formou com boas notas) acontece isso.

Mas por incrível que pareça, ou não (afinal acho que sempre nos colocamos no centro do universo), eu pensei mais sobre mim nesta história toda.
Fiquei pensando como fui totalmente insensível com o ocorrido. Eu percebi que tinha algo errado e a única coisa que fiz foi perguntar se estava tudo bem! Não acho que ela me responderia muito mais coisas se eu tentasse, mas pelo menos eu perceberia antes que definitivamente tinha algo sério acontecendo. Também não sei quanto tempo eu levaria para descobrir que era esse tipo de problema, mas no mínimo saber que uma ajuda profissional era necessária acho que daria para descobrir. Isso serviu, mais uma vez para abrir um pouco meus olhos sobre o meu comportamento, foi uma situação séria, que por falta de atenção/interesse ou seja lá o que você queira chamar, eu deixei de ajudar alguém e ao mesmo tempo me coloquei em risco (afinal ela não estava no melhor juízo, sabe-se lá o que poderia acontecer se essa situação se prolongasse). Essa foi uma situação extrema, que eu torço para que nenhum se vocês tenha que enfrentar, mas que pelo menos serviu como um ACORDA, presta mais atenção em quem te rodeia! Isso não no sentido de que eu possa estar com alguém perigoso, mas que pode ser que esteja acontecendo diversas coisas que impactam as vidas dessas pessoas, eu simplesmente ignoro, consequentemente ignoro também as pessoas, afinal elas são mudadas por essas coisas!

Outro ponto interessante, é que eu estou lendo um livro que aborda a questão da mudança de paradigmas. Eu senti na pele o que o autor disse sobre essa questão. Até antes da Nina me contar a história toda, eu achava essa garota muito estranha e por uma espécie de preconceito eu não a achava bem sucedida. Na minha cabeça uma alemã de 28 anos era sempre uma mulher resolvida, bem sucedida profissionalmente, com seu carro e apartamento, talvez uma família. Quando eu conheci essa garota, que nessa idade ainda dependia de ajuda de programas sociais do governo para se manter e que com todo o super sistema de educação alemão ainda estava estudando e nem era uma graduação, eu considerei que ela era uma pessoa acomodada. De repente eu descubro esse pedaço da vida dela e tudo muda! Não coloquei os detalhes que a Nina me deu sobre a infância/adolescência e a relação com os familiares, mas agora eu considero ela uma pessoa muito batalhadora, passar por tudo o que ela passou e chegar aonde ela chegou não é fácil. Isso me fez sentir ainda mais o fato de ela ter tido essa recaída. Espero que ela se recupere e consiga continuar com a vida que vinha levando. Também espero que eu tenha realmente aprendido algo com isso.

  
Das ist alles Volks!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Köln - Bonn

Guten Tag,

Como dito no último post, vamos para Köln (Colônia) e Bonn!
Algumas pessoas podem estar se perguntando, mas com tantos lugares na Europa, sua primeira viagem é para Bonn???
Obviamente que em condições normais não seria, mas como a Jode (que trabalhou na AIESEC comigo) estava lá e já faziam mais de 7 meses que não nos víamos, esse foi o destino escolhido. Aliás, para quem tiver interesse em saber como está sendo a experiência dela na Alemanha aqui está o blog dela:  www.quebonn.blogspot.com (esse blog foi um dos responsáveis por eu estar curtindo tanto meu intercâmbio..hehehehe)

Saí da SAP às 18:40, passei num mercado para comprar algo para comer e fui para a Heidelberg Hauptbahnhof. Os trens que fazem as viagens de longa distância por aqui funcionam praticamente igual aos trens regionais. Existem os terminais eletrônicos em todas as estações que você pode comprar os tickets (passes) para ambos. A diferença é que como geralmente você usa mais os regionais, existe uma série de opções de compra, algumas não dá para fazer pelo terminal e você precisa ir até a empresa, como foi o caso do meu ticket semestral. Ou seja, para o transporte regional, eu não preciso me preocupar até o final do meu intercâmbio. A dica para os trens de longa distância é comprar bem antecipado, porque eles são bem salgados! Ida e volta de Heidelberg para Bonn ficou em 58 euros. Em posse da passagem é só estar no horário marcado na plataforma que o trem muito provavelmente estará lá e você entra. Uma coisa que eu não comentei é que o transporte funciona na confiança, de vez em quando tem algum fiscal para ver se você realmente tem a passagem, mas no de longa distância eles são mais comuns!
Depois de um pouco mais de 2h de viagem finalmente eu cheguei em Bonn. Encontrei a Jode e fomos para algo muito parecido com os botecos no Brasil, para comprar cerveja. Aí eu tive a minha primeira impressão da cidade, quando acabamos de sair do boteco, paramos 1min na porta e um homem que aparentava uns 60 anos parou muito perto de nós e cuspiu no chão, por um triz não nos acertou! Até agora estou tentando entender o que passou na cabeça dele!
Fomos para a casa da Jode, lá eu conheci a galera que mora com ela! O pessoal é muito gente boa e eles se tratam como uma família, achei muito legal. Um pouco mais tarde chegou a outra brasileira que mora com ela a Ana, Manaus, que foi uma das primeiras veteranas que eu conheci na faculdade. Eu já estava me sentindo no Brasil!

Na manhã seguinte eu a Jode e a Manaus, fomos para Köln. Assim que você desse da estação principal dá de cara com a catedral. Ela é impressionantemente grande, uma coisa que eu achei legal quando ouvi é que Köln foi praticamente devastada durante a 2ª Guerra, uma das poucas coisas que ficaram de pé na cidade foi a catedral (não totalmente, mas boa parte). Isso porque ela era tão alta, que os aviões que atacaram a cidade a usavam como referência, logo era importante tentar preserva-la. Eu me senti em Aparecida lá, impressionante a quantidade de turistas.
Depois andamos pela cidade e eu senti aquela coisa de cidade grande que até então eu não tinha sentido aqui: um monte de gente andando para todos os lados, as ruas cheias e muitas lojas. 
Depois de passar pelo Reno e alguns outros pontos fomos encontrar com alguns intercambistas para ir ao amistoso: Köln F.C. vs Arsena. Uma maravilha, chegamos na hora que ia começar o jogo e nossos lugares lá, esperando por nós (lugar marcado é muito bom). Assistimos juntos eu, a Jode e o Hugo, um brasileiro que está morando em Bonn também.
Ao final do jogo eu saí com uma certeza, preciso ir a outro jogo, mas da próxima vez não pode ser um amistoso. Não sei se é porque era amistoso, mas a torcida ficava em silêncio o tempo inteiro, de vez em quando, quando acontecia um bom lance eles batiam palmas e nas substituições eles gritavam o nome do jogador. O meu maior choque foi quando saiu o primeiro gol do jogo que foi para o Arsenal, e todos bateram palmas (por um momento eu achei que eu estava viajando e que o Köln é que estava de vermelho e branco, porque não fazia sentido). Resumo da história, não teve nenhuma surpresa no placar, o Arsenal ganhou de 2x1, com direito a um golaço contra do Arsenal, e eu e a Jode parecíamos mais torcedoras do que a galera toda vestida de Köln.
Depois do jogo, nós três fomos para um restaurante, onde eu finalmente comi carne bovina de qualidade, e ficamos umas 3h lá conversando.
Voltamos para Bonn e passamos a noite conversando com o pessoal da casa.

No domingo eu fui conhecer Bonn, que era a capital da Alemanha Ocidental. Primeiro fomos para o prédio da DHL que bem moderno e enorme, se destaca muito na paisagem. Aí andamos pelo jardim, praticamente um parque, muito bonito. Aí fomos para o centro da cidade, acho que andamos por todo ele em uns 20min com direito a paradas para fotos. Um dos principais pontos é a casa aonde o Beethoven nasceu. Uma coisa legal, que é muito europeia, é que eles ainda tem um pedaço do que foi o portão de entrada da cidade, então você está andando e dá de cara com um pedaço de parede no meio da praça. 
Como o tempo, durante todo o final de semana estava muito convidativo (acho que a temperatura máxima foi 18ºC, céu nublado, com garoa a cada três horas) decidimos voltar para casa. Aliás, sobre o clima em Bonn, eu preciso citar a Marina Russo (Acabou de terminar o intercâmbio dela de um ano lá):
  • I love the diversity of seasons in Bonn: Sunny winter, windy winter, rainy winter and snowy winter. Summer? Never heard...
Eu me senti algo entre o windy e o rainy!

Clima a parte, a viagem valeu muito a pena! Rever amigas é sempre muito bom! Ainda mais quando você está em outro país, poder passar um final de semana falando basicamente português, sobre coisas que as pessoas entendem (Brasil)! Além disso, conheci pessoas bem legais, outras cidades e fui ao estádio!

Ah, antes de terminar, eu preciso compartilhar o comentário do cara que trabalho comigo. Segundo ele, o pessoal de Berlin falava que Bonn era 4 vezes menor que Berlin e 2 vezes mais morta que o cemitério de Berlin.
Ele ainda me explicou que na verdade Bonn foi escolhida para ser a capital da Alemanha Ocidental, pois eles queriam mostrar com isso, que aquele era um estágio provisório e que a Alemanha seria reunificada e Berlin voltaria a ser a capital do país.



Dicas de Alemão
Números/Zahlen:
0 = null                     6 = sechs
1 = eins                    7 = sieben
2 = zwei                    8 = acht 
3 = drei                     9 = neun
4 = vier                     10 = Zehn
5 = fünf
*Até o vinte é tranquilo, o problema é do 21 ao 99!
Continuação da frase chave: Sprechen Sie Englisch?


Das ist alles!