terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mannheim

Depois de muito tempo...Hallo!!!

Como prometido no último post...Mannheim.

Desde quando eu cheguei aqui, todos me falavam, você precisa ir a Mannheim, porque é a maior cidade da região e a segunda maior do estado, só fica atrás da capital, Stuttgart. Aí chegou o último sábado do mês, eu sem muito dinheiro para ir para algum lugar mais longe, decidi que era a hora de conhecer a cidade (detalhe, agora eu percebi como o blog está atrasado, um mês :P).
Mais um motivo que me levou a ir nesse dia, é que eu vi que ia ter um musical da Janis Joplin. Como a maioria das pessoas já estavam viajando e as pessoas que eu conversei não estavam afim de pagar mais de 20 euros para ver o musical, eu fui sozinha mesmo.
Para quem se acostumou com Heidelberg, assim que chega em Mannheim já nota a diferença, afinal é uma cidade normal, com algumas construções antigas, mas no geral não chama a atenção. Minha primeira parada foi o castelo da cidade (vão se acostumando, praticamente todas as cidades da Alemanha tem um castelo como atração).
Eu fui entrar no museu, que é dentro do castelo, e tive a primeira surpresa. Só precisei pagar 2 euros, pois uma ala do castelo estava bloqueada para um casamento.
Ok, admito que eu não era uma frequentadora de museus no Brasil, então eu não sei se nossos museus têm isso, mas eu achei super legal um aparelho de áudio que funciona como um guia. Aí quando você vê alguma peça, ela tem um número, você digita e ouve a explicação. Poucas pessoas já tiveram a oportunidade de ir comigo a um museu, mas as que já foram sabem que eu gosto de ler, entender as peças, então imaginem como não fiquei feliz com o brinquedinho...heheheheh. Resultado: só sai na hora que o museu fechou! Isso porque o tema do museu era a família que tinha habitado o castelo e os nobres da época na região. 
Até então, eu tinha uma opinião crítica sobre museus no quesito de agregar conhecimento. Provavelmente isso aconteceu porque quando eu era criança eu fui para o museu do Ipiranga e lembro que eu não gostei muito (imaginem a criança vendo talheres imperiais). Mas depois de ir nesse museu eu mudei de opinião, não que o museu fosse sensacional, mas eu percebi que, pelo menos para mim, a principal função é aguçar a curiosidade. Por exemplo, eu estava ouvindo as informações e várias vezes falava: Porque ele foi o "Elector" e blablabla. Para mim, a única tradução de Elector é eleitor, mas não fazia o menor sentido. Isso me levou a pesquisar o significado de Elector e eu descobri que era a estrutura do Sacro Império Romano-Germânico, isso levou a uma pesquisa sobre o próprio império e ainda me fez entender o porquê de os nazistas na II Guerra Mundial falarem do III Reich. Ou seja, uma simples palavra, me levou a tudo isso!
Antes de mudar o tópico fica o registro, a biblioteca e mais duas salas do castelo estão entre os cômodos mais lindos que eu já vi! É impressionante a quantidade de detalhes e cores, infelizmente era proibido entrar com câmera, logo não pude tirar fotos.
Saindo do castelo, eu decidi que já que eu ainda não vi o Rio Negro e o Solimões se unirem, eu iria ver o Neckar e o Reno (eu descobri durante a visita ao museu que eles se encontravam na cidade). O problema é que eu não tinha um mapa e não sabia bem como chegar lá. Aliás, eu nem sabia como chegar até um dos rios, a única informação era o mapa de Mannheim de 1700 e alguma coisa que eu vi no museu! Então eu comecei a andar na direção que eu acreditava que o rio estava, no caminho eu vi uma igreja bem legal, nada comparado com a catedral de Köln, mas considerando que ela não é muito falada, foi um achado! O engraçado é que quando eu estava saindo uma mulher, devia ter mais de 60 anos, veio falar comigo, eu falei que não sabia alemão mesmo assim ela continuou falando algo, até hoje eu queria saber o que ela queria me explicar.
Continuei andando, passei por uma espécie de parque, que tinha esquilos e coelhos, eu nunca tinha visto um coelho solto assim, até que enfim cheguei em um dos rios! Era o porto de Mannheim, mas não tinha ninguém e eu não sabia para qual dos lados eles se uniam. Como na figura, era bem próximo do castelo, eu decidi andar 15min para um lado e 30min para o outro para ver se eu encontrava, como eu não achei e já estava chegando a hora do musical eu voltei e fui para o parque aonde aconteceria o evento.
No caminho para lá, eu escutei uma música latina, aí decidi ver o que era. Em frente ao planetário, que fica ao lado do parque, estava acontecendo um show de uma banda cubana, mas que a vocalista era argentina. Eu me senti, porque estava cheio de alemão que certeza não entendia uma palavra do que eles falavam entre as músicas, mas eu entendia..hahahahahahahha
O som estava bom, mas eu ainda queria ir ao musical, aí fui para o parque. Era razoavelmente grande, o suficiente para eu me perder. Depois de uns 20min andando eu finalmente encontrei a bilheteria e a "arena". Às 20:00h o ambiente era bem legal. Uma arquibancada com um palco sobre um lago, praticamente um teatro grego. O problema é que às 20h aqui, ainda temos Sol, o problema foi quando anoiteceu, passei muito frio lá! Também tive outra revelação neste sábado, eu definitivamente não acompanho a música do meu tempo. Não é uma grande surpresa, mas quando eu olhei para o público do musical, eu diria que a média etária era de 60 anos, considerando que haviam algumas crianças, aparentemente levadas pelos avós. De qualquer forma o musical foi ótimo. Óbvio que eu preferia um show cover, assim se canta junto o tempo inteiro, como era um musical, só cantamos junto quando acabou o musical e ela cantou Me and Bob McGee. Ela cantava bem, o único problema é que como musical, funcionava como teatro, logo as partes faladas eram em alemão e eu só tinha noção do que realmente estava acontecendo, porque eu já vi alguns documentários sobre a Janis, então conhecendo a história, misturando com o momento que ela colocava as músicas mais alguns trechos de entrevista da Janis original, deu para dar uma ideia do que se passava. Além disso, eu não precisava falar alemão, para entender que no começo ela fez uma homenagem à Amy Winehouse, afinal ela tinha morrido naquela semana.
O único problema é que eu não tinha me programado para um show tão longo, acabou à meia noite. Com isso, o último tram que passava pelo parque e levava de volta para a Hauptbahnhof já tinha passado. Ainda bem que eu tinha prestado atenção no caminho, então voltei caminhado, uma boa caminhada, e cheguei bem na hora que o tram para Heidelberg estava chegando!

Resumo: adorei o dia, apesar de ter andado muuuito!Os 24 euros pelo musical valeram, os 2euros do museu também!

Vou tentar dar uma acelerada essa semana, para ele ficar mais atual!

Tchau

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